A REDE SOCIAL


Contém passagens do enredo, mas não revela detalhes.




AMIGO EMPREENDEDOR,

Pegando o bonde das premiações cinematográficas do momento, gostaria de compartilhar a experiência que tive ontem ao assistir ao aclamado filme A Rede Social (The Social Network), cujo enredo conta a história de Mark Zuckerberg e o processo de criação do Facebook. Não se trata de um filme primoroso, digno de Oscar, mas sem dúvidas caracteriza-se como um bom entretenimento e apresenta momentos memoráveis e inspiradores, a exemplo da cena inicial do diálogo que Zuckerberg mantém com a sua musa inspiradora, dando um show de genialidade, com todas as suas excentricidades características. Jesse Eisenberg, jovem estrela emergente que trabalhou em filmes da qualidade de "A Caçada", com Richard Gere e Terrence Howard, apresenta uma atuação extraordinária e transmite bastante profundidade em poucos olhares.

Dificilmente uma pessoa comum aprovaria a filmagem de uma biografia tão autodepreciativa como A Rede Social, mas vai lá saber o que se passa na cabeça do jovem e excêntrico bilionário norte-americano da vez. O fato é que o filme revela como uma idéia pode ser originada a partir da autopercepção das nossas próprias necessidades pessoais, o que não garante nada além de um efêmero lampejo de interesse, a menos que haja real esforço em transformá-la em um projeto promissor, viável e lucrativo. Não há nada melhor do que definir o seu público-alvo a partir das suas próprias necessidades pessoais. Assim, você tem a oportunidade de conhecer como ninguém os gostos, preferências e carências do seu mercado consumidor, ampliando as chances de sucesso do seu negócio.

O contexto de criação do Facebook insere-se no tradicional ambiente de Harvard, com todas as suas fraternidades elitistas e outras bobagens exclusivistas tão batidas nos filmes de Hollywood. Como todo e bom nerd, Zuckerberg é vítima do darwinismo universitário e, excluído de qualquer possibilidade de uma dita “ascensão social”, procura alternativas digitais para extravasar suas frustrações quase adolescentes. “Daí surgiu o Facebook”, você pode deduzir. Parece que não foi tão simples assim, Amigo Empreendedor. A necessidade de chamar a atenção dos eminentes estudantes de Harvard fez com que Zuckerberg realizasse grandes feitos na rede local, todos eles genais, diga-se de passagem. Quando finalmente consegue a atenção que deseja, ele se depara com uma punição administrativa por violar as regras de segurança da universidade, fato que o deixa transtornado pela incapacidade da instituição em reconhecer tamanha perspicácia.

A partir daí, Zuckerberg é convidado por membros de uma fraternidade para desenvolver uma rede social exclusiva para alunos de Harvard, quando enxerga a oportunidade de dar vida a algo mais inovador e consistente, surgindo assim o Facebook. Após literalmente surrupiar a idéia alheia, o fundador do Facebook é acusado de plágio e violação de propriedade intelectual, além de ser processado por preparar uma inescrupulosa armadilha contratual para seu sócio e co-fundador da rede social, o brasileiro Eduardo Saverin.

A lição que podemos tirar deste filme? Bom, cada um interpretará conforme sua percepção, mas a minha visão pessoal é que nada nem ninguém substitui um verdadeiro gênio, porém a genialidade isolada é apenas mais uma idéia que nunca sai do papel. A ousadia de Zuckenberg impressiona, surpreende e até inspira, mas se não houvesse a contribuição de um Sean Parker, co-fundador do finado Napster, para transformar aquilo num negócio de verdade, dificilmente o Facebook ganharia a escala que conhecemos hoje.

O jovem Mark Zuckerberg termina o filme triste, sozinho, genial e bilionário. Sua trajetória é inspiradora e nos remete à essência do empreendedorismo mais puro, no qual a necessidade se faz presente e ao empreendedor cabe a busca incessante em satisfazê-la, não somente por entender que aquilo dá dinheiro, mas sim por não conseguir conter a inquietação proveniente da experiência à qual foi exposto. Não há determinismo, apenas a materialização de uma vontade incontrolável de fazer acontecer. E por esta inspiração, vale a pena assistir A Rede Social.


Já assistiu A Rede Social? Então deixe um comentário contando o que achou do filme e contribua com a nossa discussão aqui no blog!

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Saulo Maciel

SAULO MACIEL é empreendedor e palpiteiro
profissional. Gosta de pensar que pode
ajudar outros empreendedores a darem o
melhor para obter sucesso nos negócios.


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2 comentários:

  1. Caro Saulo,
    Você consegue dar vida a conceitos que se desgastaram nos círculos empresárias e/ou em palestras de auto ajuda. Você, com seriedade e leveza, une o cotidiano com o acadêmico, injetando humanidade onde muitos criam uma calota de gelo.
    Parabéns meu caro e continue nos agraciando com seus textos.
    Cleidson de Oliveira

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  2. Obrigado pelo feedback, Keu!!! É sempre bom saber que os textos agradam. A busca é essa mesmo, gerar a reflexão e fugir um pouco dos vícios que o meio produz, para que os leitores se identifiquem com as situações exemplificadas.

    Volte sempre aqui e continue sugerindo, participando e contribuindo para melhorarmos o blog cada vez mais. Desculpe a demora no retorno!

    Forte abraço,

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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