DESCULPA AÍ, PATRÃO!



AMIGO EMPREENDEDOR,

Outro dia estava saindo de uma reunião com um grande amigo e parceiro de negócios, quando decidimos comer alguma coisa. Relutamos, mas em função do horário, optamos por uma conhecida rede especializada em comida árabe. Naturalmente sabíamos das suas famosas deficiências quanto ao atendimento a clientes, porém decidimos seguir em frente (continuamos a ter fé nas pessoas, apesar de tudo).

Chegando lá, entramos, sentamos, fomos recebidos com razoável cortesia e partimos para o pedido. Até aí tudo bem. Um garçom se aproximou e enquanto escolhíamos, ele sumiu (sumiu mesmo). Olhamos em volta e descobrimos que não havia mais ninguém atendendo. Ameaçamos subir na mesa na esperança de que algum filho de Deus nos visse. Algum tempo depois, o nosso herói resolveu dar o ar da graça. Começamos a descrever o nosso pedido e ouvimos um sonoro "heeein?” do lado de lá. Repetimos o pedido e ouvimos um "hã?" seguido de um estridente "o quê?". Acho que ele estava com falha no retorno. Respiramos fundo, contamos até dez e resolvemos abrir o cardápio e apontar para as figuras. Acho que foi uma boa idéia, porque a partir daí ele começou a escrever alguma coisa naquele caderninho. Após alguns "isso não tem não" e "até tinha, mas acabou", conseguimos pedir as bebidas, com a pequena ressalva de que queríamos que acompanhassem a entrega dos demais itens.

Finalizada a sofrida ambientação inicial, abrimos os laptops e retomamos um assunto pendente da nossa reunião, mas pouco tempo depois fomos interrompidos pelo nosso anfitrião com um interessante pedido. Educadamente, ele solicitou que adiássemos as nossas bebidas, pois se ele fizesse um único pedido o pessoal do bar ia "se enrolar" (reprodução fiel às suas palavras). Entender mesmo, a gente não entendeu, mas conseguimos convencer o nosso amigo a fazer dois pedidos separados , explicando que ele poderia administrar o tempo da entrega para que recebêssemos tudo junto (coisa de Consultor). Bom, pelo menos isso funcionou.

Casa vazia, mas ainda assim só recebemos os produtos trinta minutos depois (nunca entendi porque chamam aquela coisa de fast food). Pedimos os acompanhamentos tradicionais: catchup, azeite, essas coisas. "Ah, isso não tem não senhor... acabou de acabar". O Amigo Empreendedor pode imaginar como andava a nossa reserva de paciência àquela altura do campeonato.

Recebemos o pedido: esfihas demais, pastéis de menos, kibes faltando, quase nada batia. Descobrimos que apenas uma parte do que pedimos havia sido comandada. Procuramos o garçom e... nada, sumiu de novo. Olhamos em volta e vimos dois Gerentes limpando as mesas. Balançamos todas as mãos disponíveis, parecendo dois goleiros em final de Copa do Mundo, até que um dos Gerentes veio em nossa direção. Descrevemos a situação, ele ouviu atentamente, pediu desculpas e foi providenciar a correção do pedido. Comemos e rezamos (afinal de contas, sabe-se lá o que podia vir daquela cozinha).

Na saída, problemas com a conta: produtos em falta foram incluídos e outros sequer estavam lá. Para variar, a máquina do cartão também não cooperou (e ainda dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar). Sorte a nossa que tínhamos outras bandeiras na manga. Pagamos, agradecemos e, ao passar pela porta, um surpreendente ponto positivo: "desculpa aí qualquer coisa, patrão"... Isso pelo menos foi bacana.

Nunca havia visto nada semelhante. Uma seqüência tão grande de episódios lamentáveis, que beirava o inacreditável. E não estou falando do nosso herói, apenas vítima de um modelo de gestão visivelmente precário. Ruim para o franqueado, pior ainda para a imagem do franqueador. É como dizem: "o olho do dono é que engorda o gado". O resto é esfiha.


E você, o que acha, Amigo Empreendedor? Ultimamente o "olho do dono" tem estado presente no seu negócio? Deixe seu comentário logo abaixo para aprofundarmos sobre este assunto.

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Saulo Maciel

SAULO MACIEL é empreendedor e palpiteiro
profissional. Gosta de pensar que pode
ajudar outros empreendedores a darem o
melhor para obter sucesso nos negócios.


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2 comentários:

  1. Colega!

    Não acreditei no que estava lendo. É por isto, que algumas pessoas dizem: Não tenho sorte para os negócios. E a mídia chama atenção todo instante para o mercado de trabalho a relação com o cliente,a ética profissional comprometimento com outro etc. Certamente eu não teria tanta paciência denunciaria esta empresa.Imaginei por alguns segundos o ambiente interno.Ninguém merece.

    Jacy

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  2. Olá Jacy!

    Pois é, concordo contigo... mas foi a pura verdade. Já passei muitas vezes por situações semelhantes, mas todas ao mesmo tempo... acabou entrando para a história e virando post... rs.

    Hoje em dia eu observo que a informação é bem abundante para quem procura qualificação, mas o conhecimento ainda é algo que pede socorro. É aí que entram os educadores, consultores e instituições ligadas à capacitação empresarial na busca pela formação de uma cultura mais produtiva, voltada não apenas para a sobrevivência, mas também para a excelência institucional.

    Forte abraço! Muito bom ter você aqui.

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br
    Twitter: @saulomaciel

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