FALAR É FÁCIL, QUERO VER FAZER!



“Dias difíceis... quando abri esse negócio imaginei algo bem diferente. Estou ganhando menos do que no meu último emprego. Nem sei mais o que é final de semana... férias então, é um artigo de luxo! O tempo inteiro aparecem clientes reclamando da qualidade dos nossos produtos. Ninguém consegue fazer nada direito. Uma falta de comprometimento impressionante! Telefone tocando... não posso atender, ainda não paguei a fatura do último pedido que fizemos. Nem tenho mais cara para falar com os fornecedores. Se fechar as portas da empresa, não terei como pagar todas as dívidas. Tem horas que dá vontade de jogar tudo para cima”.

Por que será que as empresas quebram com tanta freqüência? Seria devido à elevada carga tributária, à concorrência excessiva ou quem sabe à eterna falta de crédito? Poderíamos gastar horas falando sobre isso, Amigo Empreendedor, mas particularmente considero este assunto um tanto quanto batido. Além do mais, você acha que isso realmente resolveria o seu problema? Não restam dúvidas que muitas das dificuldades enfrentadas pelas pequenas organizações têm origem em aspectos ligados à conjuntura econômica, porém essa é apenas uma parte da história. Quer conhecer alguns dados interessantes? Segundo a mais recente pesquisa de mortalidade das micro e pequenas empresas realizada pelo SEBRAE, 36% quebram em até 4 anos de existência, sendo que 68% dos empresários apontam que a extinção foi provocada por falhas gerenciais. Que a pesquisa é idônea, disso eu não tenho a menor dúvida, porém pessoalmente acredito que existe um algo mais a ser explorado. Tratam-se daqueles empreendimentos que não saem do purgatório, já não conseguem lucrar há bastante tempo e vão sobrevivendo aos trancos e barrancos às custas da informalidade. Se o seu negócio encontra-se nesta interminável zona de desconforto, este artigo foi escrito especialmente para você, Amigo Empreendedor.

Como é de praxe, vamos direto ao ponto. Convenhamos, você já tentou de tudo que estava ao seu alcance. Já reduziu a equipe, trocou fornecedores, fechou lojas, firmou parcerias, desenvolveu um site, fez promoções, distribuiu panfletos e segurou as despesas com telefone, energia e material de expediente até o osso. Parcelou as dívidas com credores, pegou empréstimos, adiantou recebimentos futuros e renegociou impostos atrasados. Não poupou esforços, envolveu todos os funcionários e buscou forças de onde não tinha para alavancar os resultados, não é verdade? Ainda assim, a tempestade não acabou e a bonança nunca veio. Impossível não desanimar.

Falando muito francamente, quebrar não é uma opção. E infelizmente o desânimo é o caminho mais curto para que isso aconteça. O primeiro passo para recuperar a sua empresa é refletir a respeito da seguinte questão: “Você está realmente preparado para fazer os sacrifícios necessários, investir todo o seu tempo e energia para reerguer o seu negócio, ainda que isso demande profundas mudanças em algumas das suas crenças e no seu comportamento enquanto gestor?”. Invista alguns minutos do seu tempo pensando a respeito de tudo isso, antes de seguir em frente.

É importante ressaltar que um problema financeiro raramente possui natureza essencialmente financeira. Isso quer dizer que a verdadeira causa do problema quase sempre é conseqüência de erros estruturais, diretamente ligados ao posicionamento estratégico do negócio, cujos impactos fatalmente provocam a crise. Com isso, podemos concluir que o plano de recuperação não pode ficar restrito apenas às ações voltadas para a redução de custos, ainda que o resultado financeiro seja o principal termômetro para mensuração do sucesso ou fracasso organizacional.

Comece pelo começo e reduza o seu portfólio de produtos. É improvável que todos eles sejam lucrativos para a sua empresa. Podem até agregar valor para o cliente, mas se possuem pouca saída e rentabilidade reduzida, é hora de repensar a continuidade de alguns deles. Redirecione o seu foco para produtos que possuam boa margem e para clientes com volume de vendas mais elevado. Peça ajuda, não tente resolver tudo sozinho. Procure o SEBRAE, entre contato com associações e contrate um Consultor Empresarial, acertando uma remuneração variável atrelada a resultados.

Negocie, negocie e negocie! Não tem forma fácil de passar por isso. Está com o nome sujo? Converse com os seus fornecedores e sugira outras formas de garantia (implore, se necessário!). Proponha permutas e vendas por consignação ou até mesmo trabalhe de graça em alguns casos como troca pela continuidade do fornecimento. Salários atrasados? Procure compensar a equipe com benefícios alternativos. Enxugue os custos certos, não faça economia de palitos. Nunca mate a galinha dos ovos de ouro, ainda que a coitada esteja mal das pernas. Traduzindo: se você atua no ramo de restaurantes, não demita o cozinheiro em função do salário elevado. Se tiver uma loja de confecções, não abandone a manutenção da vitrine, por maior que seja a despesa. Se a sua empresa depende diretamente de publicidade para vender, nunca, jamais corte esta verba, Amigo Empreendedor. É suicídio!

Refaça a sua precificação, esta é uma das principais causas de quebras de negócios. Muitas vezes nivelar o seu produto apenas a partir dos preços praticados pela concorrência significa perder competitividade ou correr o risco de não conseguir cobrir os seus custos fixos e variáveis, além dos impostos. É preciso tomar muito cuidado com o preço auto-predatório, pois esta prática pode abalar de maneira significativa a saúde financeira do seu empreendimento.

Elimine totalmente a ociosidade e o estoque excessivo. Se desfaça de tudo que estiver parado. Seus produtos estão encostados? Organize uma queima de estoque e venda tudo! O que sobrar, doe. Faça-o sem pestanejar. Movimentar as energias cria um clima de mudança e contagia a todos positivamente. Não tem serviço suficiente para tantos funcionários? Reduza o quadro sem hesitação e supra os dias de grande movimento com mão-de-obra temporária. Nos tempos de vacas gordas recontrate todos eles e faça uma confraternização para comemorar o retorno. Máquinas paradas? Venda-as ou tente refinanciar as que já estão quitadas. Espaço ocioso para o seu volume de produção? Refinancie o imóvel, alugue parte do local para terceiros ou mude-se imediatamente, nem que seja para o quintal da sua casa. Nestas horas, vale quase tudo para recuperar o seu negócio. Não há mais tempo a perder!

Finalmente, não posso deixar de citar a célebre frase do ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt: “É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta e não sabem o que é a vitória e nem o que é a derrota”. O processo de recuperação demanda uma profunda e essencial mudança de atitude. Este é o clima. Agora é com você, Amigo Empreendedor.


E você, o que acha, Amigo Empreendedor? Chegou num ponto em que não sabe bem o que fazer? Deixe seu depoimento e vamos pensar em soluções juntos!

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Saulo Maciel

SAULO MACIEL é empreendedor e palpiteiro
profissional. Gosta de pensar que pode
ajudar outros empreendedores a darem o
melhor para obter sucesso nos negócios.


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11 comentários:

  1. Saulo,

    Meus parabéns! Artigo simples de ler, mas que leva quem tem seu próprio negócio a importantes reflexões. Digo por experiência própria!

    Um forte abraço!

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  2. Olá Saulo,

    Acabei de receber de sua irmã coruja um e-mail com o link para seu site.
    Sempre soube de sua atenção para com as pessoas, mas só agora pude ver a sua atenção para com as empresas. Pelo visto você consegue envolvê-las de forma a alerta e orientar como crescer e se manter diante de tantos dias difíceis como mostra o seu artigo.
    Parabéns pelo artigo muito bem escrito e de fácil entendimento.
    Espero que continue neste caminho, você tem futuro. Alias o "presente" já é seu, pelo que é e pelo que proporciona as pessoas e as empresas.

    Grande abraço
    Karin (Karê, Karinha.....)

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  3. Parabéns... Como você mesmo comenta, poderia gastar horas falando sobre... Mais as vezes, é muito importante que pessoas leiam um artigo tão importante, simples, objetivo e com grande impacto, ou seja, um "sacode" pra quem está numa situação semelhante. E quem não está? A pergunta é sempre essa! Esse artigo contribui inclusive para quem acha que entende do assunto e se cobre com a peneira, achando que o sol não a atravessará.
    Mais uma vez, meus parabéns...
    ÓTIMO ARTIGO

    Jorge Henrique da Silva
    Cruzeiro-SP

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  4. Obrigado pelos elogios, Daniel! Fica ligado que em 2009 estaremos com novidades no nosso Blog.

    Forte abraço,

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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  5. Olá Karin,

    Que bom ter você conosco, participando ativamente do nosso Blog. Quero ver você mais vezes por aqui!

    A realidade das empresas no Brasil é dura. Não é nada fácil ser empresário hoje em dia... existe muita solidão no processo decisório e o feedback do mercado pode demorar meses. O que conta mesmo é a serenidade, persistência e a busca constante por otimização dos seus recursos. É um grande desafio, mas com inigualáveis recompensas (ainda que não propriamente financeiras).

    Um grande beijo,

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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  6. Obrigado pelo comentário, Jorge Henrique!

    Eu concordo com você: e quem não está nesta situação no Brasil de hoje? É a velha história do copo estar meio cheio ou meio vazio. É sempre complicado ser persistente e inovador quando se tem contas a pagar, mas o que os empresários precisam perceber (na prática) é que não existe outro caminho que garanta a sobrevivência no longo prazo. Crise é oportunidade. Ponto. Enquanto tem gente que está preocupado em segurar a produção de computadores por causa da crise, tem gente focando em ensino profissionalizante online... uns focam no problema, outros na criação de demanda, na solução.

    Gostei da sua participação, visite-nos mais vezes!

    Forte abraço,

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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  7. Ola visitei seu blog e achei um barato e gostaria de convidar para acessar o meu também e conferir a postagem desta semana: Inovar: O grande X da questão.
    Sua visita será um grande prazer para nós.
    Acesse: www.brasilempreende.blogspot.com
    Atenciosamente,
    Sebastião Santos.

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  8. Olá Sebastião! Irei visitar o seu blog sim. Apareça mais vezes!

    Forte abraço,

    Saulo Maciel
    Visite: www.saulomaciel.com.br
    Siga-me no Twitter: @saulomaciel

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Saulo muito feliz sua colocação. Quando voce cita o SEBRAE reintero que é o lugar onde os empreendedores deveriam ir antes de começar o negócio, no entanto, isso pode acontecer com qualquer um. O remédio está dado por voce. Sucesso cara!

    19 de Julho de 2009 16:44

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  11. Valeu Nelson! Começar certo já é um bom começo, não é verdade? E tão importante quanto, é saber a hora certa de agir, para que um pequeno detalhe não acabe se transformando numa incômoda (e algumas vezes até fatal) bola de neve.

    Apareça mais vezes!

    Forte abraço,

    Saulo Maciel
    Visite: www.saulomaciel.com.br
    Siga-me no Twitter: @saulomaciel

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