BATE-PRONTO: COM FRANCISCO ABREU


Francisco Abreu é graduado em Economia na Universidade Federal da Bahia, MBA em Finanças no Ibmec São Paulo e Mestrando em Business Excelence na University of Warwick, Inglaterra. Possui oito anos de experiência no setor financeiro, ocupando a sua última posição na gestão da área de Projetos e Inovação na estrutura operacional do Citibank no Brasil.


1. Muito se fala da necessidade que as empresas têm de se reinventarem através da inovação, porém em termos práticos na maioria das vezes este procedimento ocorre de maneira informal. Vale a pena profissionalizar o processo de inovação nas pequenas organizações?

Depende do produto/serviço vendido por ela. Uma pequena empresa de software, por exemplo, morre sem inovação em algum grau. De certa forma inovação é a razão de ser desta empresa e é o único diferencial competitivo que tem é a criatividade e capacidade de seus funcionários. O Google que o diga. Uma outra pequena empresa também pode nascer a partir de uma única e inovadora idéia (YouTube, por exemplo). Mas a verdade é que quase a totalidade das pequenas não conseguiria ter uma função, uma pessoa especialmente voltada para inovação, para pensar o novo e são duas as razões para isso. A primeira é o fato de que a pequena empresa tem um quadro pequeno, orçamento pequeno e, portanto, acaba priorizando as necessidades de curto prazo como cuidar do financeiro, vendas, algum marketing, etc. Mal comparando é como construir uma universidade em um lugar que não tem ensino básico. A segunda razão é que a inovação em seu estagio mais avançado NECESSARIAMENTE exige que se experimente e se erre. Toda inovação bem sucedida esconde vários fracassos. Cada grande idéia ofusca várias que não deram em nada. E uma pequena empresa tem muito menos recursos para aplicar em tentativas, idéias que na maioria das vezes só darão prejuízo (mas quando uma delas dá certo paga com sobras todas as outras).

Como ilustração vale acrescentar que existe uma série de fundos de investimento chamados “Venture Capital” que basicamente alocam um dinheiro para investir em dez, quinze boas idéias de pequenas empresas. Se uma ou duas funcionam o dinheiro investido nas outras quinze é pago com imensos retornos. Embora poucos e incomuns no Brasil, foram fundos como estes que permitiram diversas histórias de sucesso no país, mas principalmente fora. Sendo assim, salvo em situações muito específicas, é extremamente improvável que uma pequena empresa consiga sustentar uma estrutura profissional completamente focada em inovação.

2. Em geral, as pequenas empresas não possuem uma estrutura formal de planejamento estratégico, nem recursos para investir adequadamente em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Considerando que o empresário quase sempre cuida pessoalmente destes aspectos, estando também envolvido com a rotina operacional do negócio, de que maneira ele poderia pôr em prática um processo de inovação dentro da sua realidade?

Eu sempre brinco que inovação não compra o pão que as crianças vão comer hoje, mas garante a casa onde elas vão morar amanhã! Ou seja, no curto prazo é difícil ver os resultados do investimento em inovação ou planejamento estratégico, mas no longo prazo talvez seja o mais importante fator individual de sucesso de uma empresa. Portanto o pequeno empresário precisa mexer com isso de algum jeito. Como? Ele pode não ter um especialista fazendo isso por ele, mas ele mesmo pode dedicar uma pequena parte de seu tempo pra isso. É importante dizer que inovação não significa somente revoluções, grandes idéias, produtos inéditos e revolucionários, Iphones, PC’s, etc, etc. Inovação na maioria das vezes acontece aos poucos, em pequenas mudanças, pequenas melhorias que somadas podem criar algo radicalmente novo. E isto está ao alcance do pequeno também. Uma nova forma de arrumar a loja, uma nova política de estímulo aos funcionários, uma nova forma de agradar o cliente, tudo isso pode ser inovador.

Uma dica extremamente útil é olhar o que esta acontecendo no mundo. Veja o que estão fazendo outros negócios, estude , pense, adapte. Se estiver em dúvida e não quer mudar e incorrer nos riscos da mudança, teste. Aplique aquela nova idéia a somente um serviço/produto, ou somente para um grupo de clientes mais fiéis que não vão te largar por isso, ou somente em uma hora do dia. Se funcionar, adote para o negócio. Sempre que estiver agindo como cliente, veja o que as outras empresas fazem. Não pense que pode aprender somente com seus competidores diretos, do mesmo negócio. A rede de hotéis Hilton quando resolveu melhorar seu processo de entrada e saída de hospedes não descobriu nenhum hotel melhor do que eles nisso, mas descobriu que as emergências dos hospitais faziam melhor do que eles a entrada. A partir daí estudou, aprendeu e adaptou.

Sendo assim, se por um lado é muito difícil para a maioria das pequenas empresas ter um foco específico em inovação, por outro lado, com relativamente pouco tempo investido, é possível inovar. Basta olhar o mundo a sua volta, pensar e implementar. Inovação pode não ser uma prioridade de curto prazo, mas é possivelmente a atividade com maior impacto na sobrevivência das empresas no longo prazo.

3. Quais recomendações o Senhor daria para que os empreendedores conduzam melhor os seus negócios?

Sou um admirador dos empreendedores. Todos. E, particularmente, os brasileiros. Tudo joga contra, crédito, impostos, suporte, burocracia. Mesmo assim a cultura do empreendedorismo floresce no Brasil. Incrível. Então a vontade, a coragem e a criatividade estão todas aí. Mas existem algumas coisas nas quais nós brasileiros somos ruins e que no caso das pequenas empresas pode ser fatal. Não tem espaço para citar todas, além do que não sou um especialista em pequenas empresas, mas gostaria de citar algumas:

- Falta de planejamento, em geral agravada por excesso de otimismo. Pense antes, planeje, projete de uma forma realista até um pouco pessimista. Nunca parta da premissa de que seus clientes vão adorar seus serviços e produtos. Seja particularmente planejado na parte financeira dos negócios. É a velha história de que pequena empresa em geral morre por falta de capital de giro;

- Procure ajuda, especialmente para as áreas em que não domina. Se você é um grande cozinheiro, isto é um ótimo início para montar um restaurante, mas um restaurante inclui também uma parte financeira, fiscal, etc, etc. Existem diversas instituições e pessoas que podem te ajudar a custo muito baixo ou até zero. Exemplos clássicos são Sebrae, Empresas Juniores de universidades, internet, consultorias, etc. Perguntar, pedir ajuda é algo sábio.

Existem diversas outras coisas importantes, mas estas duas são problemas clássicos das pequenas empresas.


E você, o que acha, Amigo Empreendedor? A inovação é parte integrante do seu modelo de gestão? Deixe seu depoimento aqui no blog!

Achou interessante? Então compartilhe com seus amigos!

Saulo Maciel

SAULO MACIEL é empreendedor e palpiteiro
profissional. Gosta de pensar que pode
ajudar outros empreendedores a darem o
melhor para obter sucesso nos negócios.


Saiba mais sobre o autor...

Seja o primeiro a comentar!

Postar um comentário