TEMPO DE DESPERTAR



Se você é um daqueles empresários que identificam uma oportunidade, mas nunca tem disponibilidade para explorá-la; percebe as alterações nas tendências de consumo, porém não encontra tempo para virar o jogo; ou sempre pensa em tirar férias, mas conclui que esta é uma realidade cada vez mais distante... então o Amigo Empreendedor faz parte de nada menos que 99% dos gestores que estão afundados até o pescoço na burocracia do dia-a-dia. Acompanhar de perto as mínimas movimentações realizadas pela concorrência ou visitar todos os seus clientes pelo menos uma vez por mês seria um luxo que dificilmente poderia ocorrer, não é verdade? Eu costumo dizer que o tempo é o nosso vilão coletivo. O dia sempre tem vinte e quatro horas, mas parece que a gente precisa de pelo menos trinta para conseguir dar conta do recado.

Via de regra, o pequeno e médio empresário está tão envolvido com a rotina operacional que encontra sérias dificuldades para desenvolver melhorias profundas no seu negócio. São empurrados pela maré corporativa, em meio a um turbilhão de problemas que aparentemente não podem ser resolvidos sem ele. Cria-se tamanha relação de dependência que cada passo precisa da análise e aprovação do gestor principal da empresa. As pessoas até conhecem bem o seu trabalho e sabem exatamente o que deve ser feito, porém não estão preparadas para tomar decisões em situações que fujam do cotidiano. Dificilmente consegue-se formar bons líderes, uma vez que o processo de treinamento exige intensa dedicação, frustrando quaisquer intenções neste sentido. Muitas vezes as pessoas acostumam-se aos problemas, dada a freqüência com que ocorrem sem o adequado tratamento preventivo, fadando a ineficiência à condição de “risco inerente ao negócio”. Sobreviver neste cenário? Só à base de muito sangue, suor e uma boa dose de analgésico, Amigo Empreendedor.

Para entender as reais causas que produzem este quadro pouco favorável, é preciso analisar as origens das micro e pequenas empresas brasileiras. Quase sempre familiares e fruto do genuíno esforço empreendedor, a identidade destas organizações muitas vezes confunde-se com a própria figura do fundador. Os recursos quase sempre limitados obrigam o proprietário a jogar nas mais diversas posições, de gerente a office-boy, de cozinheiro a vendedor. Com isso, a empresa solidifica-se girando em torno do “gestor-faz-tudo”, que por força das circunstâncias acaba desenvolvendo um perfil centralizador e concentrando grande parte da sua atenção à rotina operacional do empreendimento. Com o passar dos anos, o crescimento da base de clientes exige modificações significativas na estrutura administrativa do negócio e, conseqüentemente, a ampliação da equipe de funcionários. É exatamente neste momento que muitos empresários perdem o fio da meada, não observando a necessidade de adequações estruturais à nova realidade de mercado. As suas limitações físicas permitem que o modelo de gestão anterior funcione somente até aonde a vista alcança, quase sempre negligenciando o relacionamento com clientes. A partir daí, começam os problemas.

A chave está em perceber o momento adequado para a mudança, Amigo Empreendedor, mantendo os olhos e ouvidos atentos para detectar os sinais apresentados pelo mercado. Há algum tempo atrás, quando eu ainda atuava numa conhecida multinacional, o principal executivo da empresa costumava usar a máxima “o preço da liberdade é a eterna vigilância” (ou algo assim). Ele não poderia estar mais correto. Descentralizar o poder sobre as decisões, atribuindo relativa autonomia à equipe é essencial, porém só se justifica quando acompanhada por um eficiente controle gerencial. Para que isso aconteça, concentre-se em cuidar das pessoas, da estratégia e dos clientes, cercando-se de líderes que toquem todo o resto. Entre em campo somente em situações de crise e implantação de projetos estratégicos. Todas as manhãs, tenha em mãos um relatório completo que reproduza a realidade nua e crua da sua empresa, abrangendo os aspectos financeiros, operacionais, comerciais e fiscais da organização. Uma vez por mês, teste estes controles e procedimentos, fazendo o papel de auditor interno, sempre de maneira irregular e totalmente desavisada (não permita que a equipe se programe para ser auditada). Seja exigente e extremamente crítico com os mínimos detalhes, apenas desta maneira você sentirá segurança para deixar o seu negócio sob a responsabilidade de terceiros.

Vale ressaltar que estamos falando aqui de uma enorme e radical mudança cultural, processo que costuma levar meses para se consumar. De início as pessoas ficarão apreensivas e inseguras, já que serão forçadas a abandonar a zona de conforto na qual se encontram. De repente precisarão aprender coisas novas e, juntamente com os desafios, também sofrerão com o peso da responsabilidade pela conquista de resultados. Por este motivo, a comunicação deverá fluir da melhor maneira possível. O ponto de partida precisará ser sempre o gerenciamento das expectativas das pessoas que efetivamente promoverão a mudança. No médio prazo, as oportunidades criadas produzirão um clima saudável e produtivo, além de manter a equipe bastante motivada. Você terá mais liberdade para atuar em frentes que agreguem maior valor ao seu negócio e a empresa finalmente entrará num ciclo virtuoso de crescimento organizacional.

Contudo, o tempo permanecerá um recurso escasso, no entanto não mais poderá ser apontado como o principal fator limitador do desenvolvimento empresarial. Assim, da próxima vez que alguém alegar falta de tempo para mudar, Amigo Empreendedor, lembre-o que esta será a grande diferença entre o sucesso e o fracasso do negócio. E isto poderá ser apenas uma questão de prioridade.


E você, o que acha, Amigo Empreendedor? Como você gerencia o seu tempo? Escreva um comentário e deixe aqui o seu depoimento.

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Saulo Maciel

SAULO MACIEL é empreendedor e palpiteiro
profissional. Gosta de pensar que pode
ajudar outros empreendedores a darem o
melhor para obter sucesso nos negócios.


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4 comentários:

  1. Amigo Empreendedor,

    Fechou bem o artigo. Acho que independente de estarmos em um mercado altamente hostil, os gestores talentosos conseguem achar qualquer brecha para focar suas energias em resultados futuros.
    As pessoas mais organizadas são aquelas que possuem sua agenda tomada integralmente por compromissos. Os desocupados e desorganizados sempre acham o tempo é curto pra tudo.
    Acho o ser humano impressionante. Mesmo que você dê o dobro de horas por dia para a maioria, a zona confortável vai somente aumentar.

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  2. Grande Bruno!

    Legal seu comentário, bem pertinente. É a velha Síndrome do Estudante... adie o prazo de uma prova e observe se o estudante irá aproveitar o tempo adicional para estudar ou se mais uma vez deixará para a última hora...

    O diferencial está na capacidade de organização. Não precisa ser fera no assunto, mas fazer o dever de casa bem feito é essencial. Eu costumo dizer que ser empresário é bastante solitário, você não tem em quem se apoiar para saber se está no caminho certo ou não e mesmo assim precisa continuar a tentar. É duro, mas pode ser bastante recompensador.

    Apareça mais! Forte abraço,

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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  3. Bom trabalho amigo Saulo e bons negócios

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  4. Obrigado, Amigo Empreendedor! Vamos juntos! Abs

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