QUANDO CRESCER EU QUERO SER... PEQUENA!



AMIGO EMPREENDEDOR,

Quem nunca passou na frente de um bar lotado e pensou: “deve ser bom mesmo, com tanta gente assim não pode ser ruim“? Talvez tenha até reestruturado a agenda, saído um pouco mais cedo do trabalho só para conferir o que pode ter de tão especial por ali. E o sujeito que passa na frente daquela loja enorme, bem iluminada, decoração invejável e... vazia! Nem uma alma viva sequer aparece para comprar. Ele pode pensar: “essa loja não é mais a mesma, antes da reforma estava sempre cheia. Só pode estar falindo”. Esta é uma obra de ficção e qualquer semelhança é mera coincidência, Amigo Empreendedor. Mas como a vida imita arte... nunca se sabe. O fato é que velha lei da oferta e demanda ainda reina absoluta no mercado, porém mais recentemente temperada com uma boa dose de psicologia do consumo. Detalhes que fazem toda a diferença na dura vida de um gestor.

O alvo de grande parte dos empresários é a promoção do crescimento organizacional, através da ampliação da carteira de clientes e das receitas com vendas. Naturalmente, o processo evolui de maneira gradativa e exige um minucioso planejamento, sob risco do retorno sobre o investimento nunca se realizar. Neste ínterim, o dimensionamento da oferta deve ser realizado de maneira cuidadosa, uma vez que alguns destes investimentos muitas vezes são irreversíveis e voltar atrás pode sair caro demais. Eu costumo dizer que é melhor ter dois empreendimentos pequenos, lado a lado, do que uma pomposa empresa grande e vazia. Cada negócio é um negócio e nada como uma boa exceção para legitimar uma presunçosa regra. Ainda assim, prefira fazer fila a acumular espaços ociosos, Amigo Empreendedor. Caso contrário, o efeito colateral pode ser devastador.

Mas por que tudo isso é importante? Qual a vantagem de se conservarem as características de uma empresa pequena quando tudo o que o Amigo Empreendedor espera é crescer? Talvez porque os clientes gostem de se sentir acolhidos, serem chamados pelo nome e perceber que seus gostos e preferências são reconhecidos e antecipados pelo vendedor. Porque a equipe fica muito mais motivada quando atua numa organização ágil, enxergando com clareza o resultado concreto do seu trabalho. Porque as pessoas também se sentem muito mais importantes e confiantes quando o principal líder fala com elas diretamente, ainda que seja para dar más notícias (aliás, este é um fardo indelegável que necessariamente o empreendedor precisa carregar). Porque o empresário tem a chance de conhecer a fundo cada problema da empresa, por ouvir àqueles que compõem a base da pirâmide, inspirando os demais líderes através da proximidade e exemplo das suas mínimas ações. Porque a mensagem do dono tem um alcance muito mais abrangente, fazendo com que a cultura organizacional incorpore os valores e práticas consideradas mais relevantes para a estratégia empresarial. E principalmente, meus amigos, porque tudo isso pode produzir resultados extremamente relevantes para o seu negócio e posicioná-lo num patamar diferenciado no mercado.

Grandes empresas multinacionais são um exemplo perfeito do que não se deve fazer na gestão operacional de um negócio. Reuniões prolixas e intermináveis, telas e mais telas de e-mails improdutivos (5% é aproveitável, garimpar tudo é que são elas), gerentes com “mãos atadas”, filas de projetos aguardando a aprovação da Diretoria. Ah, também não podemos nos esquecer dos “prezados colaboradores”, quase sempre desmotivados e já anestesiados pelos efeitos da reincidente frustração. Por outro lado, dificilmente alguma organização de menor porte consegue atingir a excelência nas estratégias de marketing e vendas presente nas gigantes multinacionais. Com um claro posicionamento estratégico, um excepcional processo de Pesquisa e Desenvolvimento, uniformidade da marca e uma invejável padronização de procedimentos, estas organizações são quase imbatíveis em geração de receitas. Eu disse quase, Amigo Empreendedor. Se não fosse um pequeno e notável detalhe: uma revolução conhecida como Google. Fundada em um dos dormitórios da universidade norte-americana de Stanford e atualmente detentora da marca mais valiosa do planeta, a empresa vem ameaçando a hegemonia da Microsoft e desbancou o portal de internet Yahoo. Uma grata surpresa pós-traumática da chamada “bolha da internet” ocorrida em 2001.

Por falar em Google, vale lembrar que temos excelentes exemplos tupiniquins que acertaram em cheio na receita do “BBB – Bom, Bonito e Barato” (pois é, Amigo Empreendedor, isso realmente existe e funciona muito bem!). Quem não se lembra do surgimento da Gol, revolucionando o setor aéreo com o seu eficiente modelo econômico e contribuindo para o fim das atividades da Varig e Transbrasil? E a rede de comida árabe Habib’s que invadiu o mercado de fast-food com as suas famosas esfihas custando apenas alguns poucos centavos, apostando na venda em escala de produtos com menor valor agregado e abalando os resultados de grandes redes no país? Centenas de empresas dos mais diversos segmentos quebram tabus todos os dias com estratégias inovadoras e apostando em nichos de mercado inexplorados. O estabelecimento de uma cultura pautada pela agilidade, custos enxutos, procedimentos simplificados e uma consistente estratégia de marketing e vendas representam diferenciais extraordinários, ameaçando o domínio das grandes organizações, inundadas em sua maioria por controles excessivos e uma ineficiência administrativa que beira o inacreditável.

Agora que sabemos exatamente o que não fazer, então qual seria o caminho mais indicado a seguir? Se crescer é um alvo a ser perseguido, como não transformar a empresa num verdadeiro “elefante branco” organizacional? Como você bem sabe, Amigo Empreendedor, não existe fórmula mágica, mas as boas práticas de mercado indicam alguns caminhos e lições valiosas de quem conseguiu chegar lá. Para começar, adote a “Regra dos 10%”, importante vetor para quem conduz pequenos negócios. Nada com menos de 10% de ganho vale a pena, uma vez que a energia que se gasta muitas vezes não compensa o retorno. Seja objetivo e trabalhe com números. Não confie apenas na percepção, peça “ajuda aos universitários” e verifique as estatísticas gerenciais antes de tomar decisões precipitadas. Mas lembre-se sempre de respeitar os momentos em que o improviso e a capacidade de gestão falam mais alto. Planejamento sem execução é o mesmo que nada, por isso apenas nestas horas, confie na sua intuição e faça acontecer!

Cresça e apareça, mas admita algumas fragilidades. Risco é igual a probabilidade versus impacto, de forma que toda pequena empresa precisa admitir uma certa exposição a alguns riscos se quiser sobreviver. Mais uma vez aplique a “Regra dos 10%”: qualquer coisa com menos de 10% de probabilidade de acontecer não pode ser considerada como prioridade. Deixe as grandes se preocuparem com um milésimo do todo, pois a sua hora também chegará. Mantenha-se ágil. Deixe as pessoas respirarem e terem a autonomia necessária para tomar decisões e resolver problemas. Observe e oriente, é assim que se criam bons líderes. Converse com todos, conheça os seus nomes e saiba exatamente as expectativas de cada um (as técnicas de CRM estão aí para isso). Garanta que o lado bom da cultura idealizada lá atrás seja posta em prática também lá na frente. Compreenda que o “Fator X” existe em toda e qualquer relação, seja de líder para liderado ou de vendedor para cliente. Um pouco de incerteza ajuda a equipe a se desenvolver e ganhar maturidade. Errar faz parte, mas certamente pecar por omissão produz resultados muito mais desastrosos.

Finalmente, lembre-se daquela “lojinha de esquina” conhecida como Casa do Pão de Queijo, que ao se manter pequena invadiu livrarias, shoppings e aeroportos, tornando-se uma das franquias mais conhecidas e valorizadas do país. Um modelo de negócios impressionante. Por isso, Amigo Empreendedor, eu digo e repito: quando crescerem, sejam pequenas. É esta simplicidade que faz a diferença.


E você, o que acha, Amigo Empreendedor? Qual o seu modelo de gestão? Escreva um comentário e deixe aqui o seu depoimento.

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Saulo Maciel

SAULO MACIEL é empreendedor e palpiteiro
profissional. Gosta de pensar que pode
ajudar outros empreendedores a darem o
melhor para obter sucesso nos negócios.


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4 comentários:

  1. Oi, Saulinho!!!!

    Adorei o artigo. Você focou exatamente no que muitos que se dizem empreendedores não fazem: crescer, sendo pequena.

    É preciso enxergar o que só poucos enxergam. É por isso que muitos se perguntam sobre o porquê de tantas empresas serem grandes e não fazerem o sucesso e/ou não possuírem o retorno esperado, não é?

    Não adianta apenas ter um negócio só para ganhar $ ou fazê-lo crescer de forma gigantesca, porque quem começa com esse pensamento, na maioria dos casos, "quebra" depois de alguns anos. E nesses casos, o prejuízo é sempre maior, tornando mais difíceis as possibilidades de "retomada" do negócio e, até mesmo, o fato de "acreditar que algo de novo possa funcionar".

    Faz-se necessário acreditar e buscar o equilíbrio entre os clientes interno e externo, buscar a essência da "lojinha da esquina" e implantar, sem sombra de dúvidas, a "Regra dos 10%". São receitas e estratégias tão fáceis aos olhos, que passam despercebidas. E o grande segredo do empreendedor é enxergar o real, através dos números ao mesmo tempo que impulsiona o imaginário na busca de novas idéias.

    Sucesso sempre!!
    Grande beijo,
    Leila

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  2. Saulo,
    Esse é um ponto crucial na jornada de qualquer empresa. Na obstinação por crescimento descontrolado, as empresas erram, e o "tiro acaba saindo pela culatra."
    Gostaria de ressaltar uma passagem biblica muito famosa, quando o Gigante Golias é derrotado pelo pequeno Davi. Nesse duelo historico, vale ressaltar caracteristicas de personalidade dos combatentes:
    Golias era arrogante e soberbo por ser o maior do seu exercito e por considerar que ninguem teria coragem de desafia-lo.
    Davi era agil e ousado. Não pensou duas vezes em derrotar o algoz do exercito de Israel, e o fez.

    Voltando para o nosso seculo, vemos hoje empresas "gigantes" arrogantes e soberbas, que consideram impossivel perder a hegemonia no mercado na contra mão de empresas "menores" que a cada dia que passa, aumentam seu faturamento, crescem espantosamente mantedo-se pequenas.
    Saulo, você com certeza conhece o principio de Pareto, eu vou lhe apresentar o principio de Barreto, utilizado nas grandes empresa (calma, eu sei que existem exceções) onde, 80% dos funcionarios, que é a base da piramide, produz insatisfeito com a empresa 80% do total , e 20% que é a cupula da empresa, produz 20% procuando manter os outros 80% insatisfeito.
    Não é atoa, que Davi é lembrado até hoje por ter sido Rei, justo e intrepido, enquanto Golias lembrado pela sua queda.

    Forte abç
    William Barreto

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  3. Leila,

    Seu comentário foi perfeito! Nada mais a declarar...

    Um grande beijo

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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  4. Grande William!

    Muito bom ver você participando do nosso blog. Quem passou por grandes organizações sentiu na pele as dificuldades e frustrações e percebeu a importância de se manter auto-motivado o tempo inteiro (às vezes esta é o único caminho para sobreviver num ambiente "predatório"). Mas nada como uma boa exceção para legitimar uma velha e presunçosa regra... também existem empresas que fazem o dever de casa e mantém um clima agradável e meritocrático de trabalho.

    Este é o grande desafio para as menores que estão em processo de crescimento organizacional. Quando crescerem, fundamental mesmo é manteram as características positivas das pequenas: flexibilidade e velocidade. Esse é o ponto.

    Forte abraço,

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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