A SUA EMPRESA ESTÁ PREPARADA PARA CRESCER?



AMIGO EMPREENDEDOR,

Imagine se ao acordar a sua empresa tivesse três vezes mais clientes do que ontem. Como terminaria o seu dia hoje? Clientes satisfeitos? Insumos suficientes? A operação suportaria a nova demanda? Naturalmente, algo assim não poderia ser surpresa para o Amigo Empreendedor, uma vez que esta hipótese dificilmente se concretizaria sem a precedência de um bom planejamento estratégico. Entretanto pequenas oportunidades muitas vezes produzem resultados inesperados, exigindo reações rápidas e eficazes para preservação da sólida imagem conquistada perante o mercado. Nem sempre temos a exata noção dos impactos causados por um incremento nas vendas. Por este motivo, convido o Amigo Empreendedor a refletir sobre as nuances do crescimento organizacional e descobrir em que momento crescer é realmente um bom negócio.

A sua empresa cresceu. Você contratou mais funcionários, talvez tenha mudado recentemente de sede e nunca tantos clientes bateram à sua porta. Você ampliou a sua rede de parceiros e fornece material regularmente para exposição em diferentes pontos de vendas. Seus produtos agora são conhecidos no mercado e manter o nível de qualidade é o mínimo que se pode fazer para garantir a satisfação do seu público. “Está cada vez mais complicado atender a tantos pedidos” - você pensa. O espaço está ficando pequeno e você tem a sensação de que os seus funcionários estão deixando a desejar, então você cobra um pouco mais de comprometimento. Aquele cliente fiel nunca mais apareceu. “Estranho...”. As vendas não estão tão boas quanto você esperava. “Tanto investimento... o retorno está demorando a aparecer”. Alguns parceiros começam a reclamar dos atrasos, mas você contorna sem problemas. “Eles têm que entender o nosso lado, afinal nunca tivemos tantos pedidos”. Os clientes têm procurado justamente os produtos que estão em falta. “Aquele fornecedor atrasou de novo. Não dá para continuar assim!”. As vendas estão caindo e você não consegue entender o motivo. Talvez seja a concorrência desleal, baixa produtividade da equipe, ou quem sabe a alta carga tributária. O fato é que alguma coisa precisa ser feita com urgência! Não se engane, Amigo Empreendedor. A sua operação não estava preparada para suportar o crescimento das vendas. É hora de agir.

Um dos fatores críticos de sucesso de uma reestruturação operacional está na previsibilidade da demanda. Conseguir exatidão neste processo é um desafio que até mesmo as multinacionais enfrentam, de modo que grande parte das organizações efetivamente não consegue tirar o plano do papel, apesar dos esforços existentes neste sentido. O fato é que a gestão precisa necessariamente adequar todo o sistema produtivo ao que se espera do mercado, dimensionando os recursos disponíveis de acordo com o volume estimado. Ações promocionais tendem a elevar a procura, porém as flutuações naturais oriundas das movimentações da concorrência e as mudanças demográficas que fatalmente influenciam as tendências de consumo transformam os esforços de previsibilidade num grande caldeirão com inúmeras (e às vezes até incontáveis) variáveis. O principal desafio é combinar com precisão todos estes elementos a fim de conseguir entender os impactos positivos e negativos das flutuações no volume de vendas dos seus produtos e serviços.

A partir do momento em que se tem a exata noção dos efeitos provenientes da elevação do nível de procura, naturalmente surge uma segunda preocupação: “como suportar o novo volume com recursos escassos para investimento?”. Se analisarmos que estas variações positivas tendem a exigir a disponibilização de mais recursos, tais como equipamentos, pessoas, energia e insumos, a preocupação neste sentido é realmente válida. O problema é justamente o fato de que as necessidades de investimentos antecedem os ganhos resultantes do crescimento de receitas. Além disso, muitas vezes as empresas não possuem acesso a crédito suficiente para financiamento da infra-estrutura necessária. Entretanto existem algumas alternativas, Amigo Empreendedor. Os custos operacionais podem ser estruturados de modo a produzir benefícios diretos oriundos do fluxo de caixa gerado pelas vendas adicionais. Isso é possível através da variabilização dos custos, ou seja, a transformação dos gastos fixos em variáveis. A terceirização de algumas etapas de produção e a adoção do modelo de mão-de-obra temporária são algumas ações que geram a variabilização, já que só haverá algum desembolso se de fato houver a efetivação da venda. Caso contrário apenas os gastos fixos tradicionais entrarão na conta. No entanto, esta abordagem agrega alguns riscos, de forma que os mesmos precisam ser mitigados pelo empresário a fim de assegurar a manutenção da qualidade do produto final e cumprimento dos prazos acordados com o cliente. Quando bem gerenciados, estes riscos podem transformar-se em oportunidades, configurando importantes vantagens competitivas para a sua empresa.

Considerando a hipótese de haver disponibilidade financeira, após realizados os investimentos para incremento dos recursos organizacionais, alcançar um novo patamar de produtividade não é a pior das missões. No entanto, manter o sistema funcionando continuamente neste patamar é o grande desafio do Amigo Empreendedor. Para garantir isso, arrisco sugerir dois caminhos: a implementação de controles efetivos de qualidade e produtividade e o pleno exercício de uma liderança inspiradora. Os controles operacionais permitem ao gestor definir a sua capacidade de produção, eliminar os riscos latentes e garantir a qualidade do produto final. Para tanto, é fundamental que o uso destes instrumentos não impacte negativamente no ritmo de trabalho da equipe, sob pena do esforço para controlar a operação ser maior que o benefício propiciado pelo mesmo. Muitas vezes esta é a verdadeira origem das disfunções burocráticas que assolam grande parte das organizações emergentes. O aspecto que melhor equilibra o uso destes instrumentos é a liderança, uma vez que onde existem pessoas, existe a necessidade de um bom líder. Quando há transparência na comunicação e engajamento dos membros da equipe com o resultado final, elementos propiciados pelo exercício efetivo da liderança, naturalmente os controles tendem a cumprir a sua função. Uma coisa é certa, Amigo Empreendedor, a “gestão do chicote” não funciona mais, o que nos leva a refletir a respeito da seguinte questão: por que será que as melhores empresas para se trabalhar são também aquelas que obtêm os melhores resultados financeiros? Isso também é absolutamente verdadeiro em relação às pequenas e médias empresas. Pode apostar.

Então temos uma capacidade produtiva perfeitamente adequada à demanda, com processos de previsibilidade sendo construídos com exatidão e resultados financeiros crescentes. Sabemos exatamente o prazo de atendimento que devemos fornecer para o nosso cliente e temos a absoluta convicção de que o mesmo será cumprido, uma vez que conhecemos os nossos números e equipe como ninguém. Cenário ideal, certo? Talvez. Isso mesmo, Amigo Empreendedor, apenas talvez. Todos estes aspectos configuram os primeiros passos em direção ao crescimento organizacional, porém sem uma política pautada numa cultura de melhoria contínua, a sua empresa pode estar fadada à estagnação. Chega um momento em que os passos iniciais não são suficientes para garantir o ingresso num ciclo virtuoso duradouro, demandando ações sistematizadas por parte do empresário.

A cultura de melhoria contínua exige paciência, persistência e uma boa dose de “POM – Puxões de Orelha por Minuto”. A equipe precisa aprender a tomar decisões e a resolver problemas por conta própria, contudo isto só será possível se os funcionários tiverem liberdade para errar. Se no primeiro deslize o gestor não demonstrar o equilíbrio necessário, a equipe não aprenderá com o erro e não ganhará maturidade para saber exatamente o que deve ser feito nas próximas oportunidades. É fundamental que o Amigo Empreendedor compreenda que a formação efetiva de líderes é a chave para o crescimento organizacional e profissionalização do seu negócio. E isso, meus amigos, não tem preço.


E você, o que acha, Amigo Empreendedor? A sua empresa está, de fato, preparada para crescer? Escreva um comentário e deixe aqui a sua percepção.

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Saulo Maciel

SAULO MACIEL é empreendedor e palpiteiro
profissional. Gosta de pensar que pode
ajudar outros empreendedores a darem o
melhor para obter sucesso nos negócios.


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4 comentários:

  1. Muito bom!
    É fundamental perceber que não basta entender do objeto do negócio para que tudo dê certo. Inúmeros são os desafios numa gestão, inclusive para pequenas empresas.
    No que tange à motivação dos funcionários, acredito que este seja o mais difícil dos desafios, justamente por se tratar de um problema subjetivo, contínuo e que deve ser tratado diariamente.
    Ainda não consigo enxergar soluções infalíveis para motivar funcionários, contudo, estou certo que de é necessária uma atuação simultânea em diversos sentidos, de modo que excedam o âmbito meramente profissional do indivíduo, alcançando a própria auto-estima do funcionário!

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  2. Parceiro,

    Mas uma vez parabenizo pelo artigo publicado, nós que estamos iniciando novos rumos, precisamos ficar atentos e artigos como este ilumina, abre a mente para reflexões.

    Abraço

    Laercio Pacheco

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  3. Grande Gustavo!

    Muito bom ter você por aqui, participação valiosa.

    Eu procuro enxergar a questão da gestão de pessoas de maneira bem simplificada: o gestor precisa lembrar dos tempos em que começou a carreira... suas expectativas, ansiedades e frustrações enquanto estava dando os primeiros passos profissionais. O problema é que os chefes de hoje esquecem que já foram inexperientes no passado e que as pequenas coisas geravam expectativas tremendas neles também. O líder que possui esta sensibilidade, saiba ouvir e, principalmente, saiba agir após ouvir, consegue bons resultados. E o líder principal da empresa precisa gerenciar a liderança dos seus gestores subordinados, internalizando este comportamento na cultura organizacional.

    Fácil de falar, difícil de implementar... mas possível e extremamente recomendável.

    Apareça mais! Forte abraço,

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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  4. Grande Pacheco!

    Parceirão dos tempos de Curitiba. Roubando o slogan da Petrobrás: "o desafio também é a nossa energia"!!

    Continue presente! Forte abraço,

    Saulo Maciel
    www.saulomaciel.com.br

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